Hoje eu abri a porta, de vez. Segurei em minhas paredes construídas de vãs filosofias e devaneio, o quanto pude, a caixa de pandora. Não aguentava mais lutar contra o vento do deserto que se formou fora da construção.
Resignei-me. Abdiquei da minha relutância e teimosia. E lá se foi a caixa com o que lhe restou dentro, desde a criação mitológica do mundo. Foram nove meses. Gestacionei, em verdade, sozinha, uma possibilidade de redenção dos meus sentimentos.
Falhei.
Agora, com a porta aberta vou varrer os grãos da areia da tempestade, ouvindo um tango de Piazzola.
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