Re-criaes

Re-criaes

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sobre o cansaço


faec4




Cansa-me a nostalgia errônea.
Leiam mais, quase imploro! Leiam qualquer coisa, mas leiam. E com frequência para, quem sabe começarem  a construir novas paredes de discernimento e amadurecimento político e sociológico.

Farta ando de desatinos!
Pergunto-me, assustada, como pode um povo pobre de democracia e liberdade querer, de volta,  a prisão mais árdua?

Saudade se sente do que amou, ampliou, progrediu, extra (-) vazou.

De torturadores, assassinos, mentirosos, só se pode sentir ojeriza.

Me responda povo brasileiro, por que alguns ainda pedem a ditadura e a veem como uma possibilidade de regime político?

Será assim tão difícil conviver com a possibilidade de deixar de ser miserável e escravo?

Abro a janela, um pio fino de um pássaro, para mim, sem nome, prende minha atenção.
Depois do canto rápido e desafinado, ele abre suas asas medianas e alça um voo leve e se distancia, aos poucos, sem ter como olhar para o eco da entoação passada. Que destreza em abandonar o galho e seguir. Que destreza em viver solto, longe das gaiolas, que prendem tantos outros de sua espécie.

A livre-associação fica por conta daqueles que ainda acreditam nos generais e suas armas, nos programas megalomaníacos de um crescimento, que esterilizou mentes, trompas e solos.




drumondeando
Sou dura, de pedra...
De pedra sabão!

Quase dia nove...



Ditadura militar. Um 09 de janeiro qualquer, uma mulher em trabalho de parto, durante dezesseis horas, em um hospital público de Guarulhos. O único que  podia recebê-la  para que a "nascitura" viesse ao mundo.
Veio
Gostou
Desgostou
Arrumou
Encheu
Esvaziou e quase murchou. Mas as luzes da cidade, lâmpadas de tantas cidades, que a envolveram em mais de 30 anos, após o parto, quase sem oxigênio, a preencheram, de novo.

Nasceu, é menino!
 Ledo engano, era uma menina feia, que doía, e que de fato, só veio a nascer muitos anos depois. Ficou na incubadora por mais tempo, aliás, a barriga foi meio incubadora (já pedindo desculpas, por licenci-osa poética tão mal-arranjada). Passou duas semanas do tempo contado pelo doutor ginecológico.

Talvez, não quisesse vir.
Talvez, soubesse de todos os arroubos inquietantes que viveria.
Ou, talvez, e simplesmente, era um bebê grande demais para a estrutura física da mãe.

Queria crer que o acaso comanda todas as vindas. Que os planos só acontecem no ritmo consciente das possibilidades biliares de ver a existência. Se todas as chegadas, partidas, sumiços temporários forem programados garanto que estou farta. Desisto do sentimento e, a partir de agora, não amo mais com o estômago, apenas com a vesícula.