Fluxo de consciência
A tempestade bate na janela. Abro e quão forte é o vento...
Sei que nada existe, além dos montes brancos gelados de neve,
Mas, em mim são construções íntimas de libido
Oh contradição!
Busco em você, o que não mais encontro no espelho
Um certo brilho, nos olhos, perdido, nos meus, há uma eternidade de dores.
O sorriso espontâneo e o sonho
É incômodo sonhar, sonhos que, talvez, nem sejam meus
E o que é meu, em verdade, nesse ciclo vicioso de repetir e viver, viver e repetir...
Amor com poesia é uma rima tão pobre
Há tanto tempo perdi o verso
Que o avesso me irrompe como um parto, que lateja, e não se concretiza
Somos mancos, incompletos que não se encontram em nenhum desejo comum
Nenhum desejo é comum
Estamos vivendo vis-a-vis. Porta-a-porta e não nos vemos, quem se vê...
Sempre será, em meu útero seco, como em os "Amantes" de Magrite,
O beijo infinito daqueles que nunca se olham, porque não se veriam no reflexo, na retina do outro.
E como se mostrar, se a cada dia, sou outra e mais ensimesmada e mais intrínseca, e mais hedonista...
Como ousar romper um lacre de sangue, de herança,
Desesperança
Não ouço nenhuma música, quando lembro do seu corpo,
Vejo a Lua, no entanto, tão cheia e densa de claridade que se perde...
No Horizonte, sob nuvens escuras
E se despede
Nua, como um presságio de vazio.
Um vazio sagrado... de preservação do ato criativo!
Não, não quero criar, o que já se perdeu!
Corro...
Corro...
Fecho a janela, desço as escadas, a neve, assim como a realidade,
lá fora é tão intensa que nenhum crepitar de fogo e madeira há de suplantar o frio.
não suplanta o frio
E eu? fujo
Me cubro de passado
Para conter o gelo!
É tanto sentimento e não há nenhum, porque tudo se foi
Letras que queimaram no fogo dos papéis
Tingidos de negras redondilhas.
Letras que queimaram no fogo dos papéis
Tingidos de negras redondilhas.

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