Re-criaes

Re-criaes

sábado, 28 de novembro de 2015

Fluxo de consciência

A tempestade bate na janela. Abro e quão forte é o vento...
Sei que nada existe, além dos montes brancos gelados de neve,
Mas, em mim são construções íntimas de libido 

Oh contradição!

Busco em você, o que não mais encontro no espelho
Um certo brilho, nos olhos, perdido, nos meus, há uma eternidade de dores.
O sorriso espontâneo e o sonho

É incômodo sonhar, sonhos que, talvez, nem sejam meus
E o que é meu, em verdade, nesse ciclo vicioso de repetir e viver, viver e repetir...

Amor com poesia é uma rima tão pobre
Há tanto tempo perdi o verso
Que o avesso me irrompe como um parto, que lateja, e não se concretiza

Somos mancos, incompletos que não se encontram em nenhum desejo comum
Nenhum desejo é comum
Estamos vivendo vis-a-vis. Porta-a-porta e não nos vemos, quem se vê... 

Sempre será, em meu útero seco, como em os "Amantes" de Magrite,
O beijo infinito daqueles que nunca se olham, porque não se veriam no reflexo, na retina do outro. 
E como se mostrar, se a cada dia, sou outra e mais ensimesmada e mais intrínseca, e mais hedonista...
Como ousar romper um lacre de sangue, de herança, 
Desesperança




Não ouço nenhuma música, quando lembro do seu corpo,
Vejo a Lua, no entanto, tão cheia e densa de claridade que se perde...
No Horizonte, sob nuvens escuras
E se despede
Nua, como um presságio de vazio.
Um vazio sagrado... de preservação do ato criativo!
Não, não quero criar, o que já se perdeu!

Corro...

Fecho a janela, desço as escadas, a neve, assim como a realidade,
lá fora é tão intensa que nenhum crepitar de fogo e madeira há de suplantar o frio.

 não suplanta o frio


E eu? fujo
Me cubro de passado
Para conter o gelo!




É tanto sentimento e não há nenhum, porque tudo se foi
Letras que queimaram no fogo dos papéis
Tingidos de negras redondilhas.