Álvaro de Campos
O Florir
O florir do encontro casual
Dos que hão sempre de ficar estranhos...
O único olhar sem interesse recebido no acaso
Da estrangeira rápida ...
O olhar de interesse da criança trazida pela mão
Da mãe distraída...
As palavras de episódio trocadas
Com o viajante episódico
Na episódica viagem ...
Grandes mágoas de todas as coisas serem bocados...
Caminho sem fim...
Criar, destruir, romper limites,retificar, desmitificar, mitificar. Liberte-se, sinta-se em liberdade. Dê de si a si e flutue.
Re-criaes
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Saída de emergência.
Hoje eu abri a porta, de vez. Segurei em minhas paredes construídas de vãs filosofias e devaneio, o quanto pude, a caixa de pandora. Não aguentava mais lutar contra o vento do deserto que se formou fora da construção.
Resignei-me. Abdiquei da minha relutância e teimosia. E lá se foi a caixa com o que lhe restou dentro, desde a criação mitológica do mundo. Foram nove meses. Gestacionei, em verdade, sozinha, uma possibilidade de redenção dos meus sentimentos.
Falhei.
Agora, com a porta aberta vou varrer os grãos da areia da tempestade, ouvindo um tango de Piazzola.
Resignei-me. Abdiquei da minha relutância e teimosia. E lá se foi a caixa com o que lhe restou dentro, desde a criação mitológica do mundo. Foram nove meses. Gestacionei, em verdade, sozinha, uma possibilidade de redenção dos meus sentimentos.
Falhei.
Agora, com a porta aberta vou varrer os grãos da areia da tempestade, ouvindo um tango de Piazzola.
Rever-se-á
Que estranho dia de sol. Sim, está sol. Posso sentir os raios invadindo a janela através da cortina verde do quarto do computador.
Ao meu lado, dentro da minha "maxi-bolsa", a Mell dorme com a pureza da falta do pecado original, até porque o diabo não tentaria uma gata com maçã. Talvez um pires com leite e, de quebra, levaria uma bela unhada, se tentasse uma aproximação, mais efetiva. E nesse alter-mundo com dois lados de uma mesma moeda, seja ela de que país for, em mim, retas se cruzam.
Desde ontem, duas coisas dominam meu pensamento: Dor e Alegria. Muitos fatos as cultivariam. Recriei as máquinas de tortura e também os clows de Veneza.
Dor, espinho no dedo, no roseiral da minha vó, quantos espinhos para ter em uma pequenina rosa, cor-de-rosa.
Dor, ferpa no pé, depois de andar nos terrenos baldios no bairro, onde cresci, em Minas.
Dor, as unhas da minha irmã, que ela não deixava cortar, me arranhando, quando ela fazia birra. 7 anos mais nova do que eu.
Dor, os ciúmes que eu sentia dos cachinhos dourados dessa mesma e única irmã.
Dor, a fala presa do meu pai, depois do trabalho e de alguns vários copos de cachaça e jurubeba.
Dor, as palavras duras da minha mãe, sobre sua história e sobre seu casamento, por causa e efeito sobre as filhas, também.
Dor, a menarca, primeiras dores abdominais reais para uma menina. Sangue, para que tanto...?
Dor, amiga de infância mudando de cidade para fazer faculdade.
Dor, minha mudança de cidade para fazer Jornalismo.
Dor, desacordo com os primeiros anos de graduação.
Dor. Amor. Desamor. Torpor. Temor. Tumor. Chopin e as lágrimas do seu piano. Beethoven. A marcha fúnebre de Mozart. Um epitáfio que se faz. Uma tragédia de Shakespeare, ou então as leves durezas de Caio Fernando de Abreu com seus "Morangos Mofados".
Partir. Perder. Esquecer. Ser esquecido.
Indignação: Paulo Coelho, Frutas apodrecidas dançando funk, axé, pagode...
A dor, coração partido, alma encolhida, enlatada. Querer muito mudar uma situação, mas nem pá e cal conseguem a reparação.
Dor, saudades dos meus sobrinhos, do colo da minha mãe, me fazendo cafuné, nos cabelos, durante um cochilo matutino. Saudades dos pedacinhos de mamão e de banana que meu pai coloca na mexeriqueira para os sabiás.
Como dói a partida do Astor, cachorro companheiro de 14 anos, meu scooby-doo preto e branco, mas com a língua vermelha, porque ele nunca foi corintiano.
Dor, remédios, muitos remédios, panos azuis, lágrimas maternas, escuridão, frio, agulhas em todos as veias. Uma cara fechada de enfermeira, em final de plantão. Amnésia temporária.
Dor, psicanálise, Freud, a teoria do trauma, a história da família.
Dor, entender o funcionamento real da vida...
Alegria, fica para sábado!!
Ao meu lado, dentro da minha "maxi-bolsa", a Mell dorme com a pureza da falta do pecado original, até porque o diabo não tentaria uma gata com maçã. Talvez um pires com leite e, de quebra, levaria uma bela unhada, se tentasse uma aproximação, mais efetiva. E nesse alter-mundo com dois lados de uma mesma moeda, seja ela de que país for, em mim, retas se cruzam.
Desde ontem, duas coisas dominam meu pensamento: Dor e Alegria. Muitos fatos as cultivariam. Recriei as máquinas de tortura e também os clows de Veneza.
Dor, espinho no dedo, no roseiral da minha vó, quantos espinhos para ter em uma pequenina rosa, cor-de-rosa.
Dor, ferpa no pé, depois de andar nos terrenos baldios no bairro, onde cresci, em Minas.
Dor, as unhas da minha irmã, que ela não deixava cortar, me arranhando, quando ela fazia birra. 7 anos mais nova do que eu.
Dor, os ciúmes que eu sentia dos cachinhos dourados dessa mesma e única irmã.
Dor, a fala presa do meu pai, depois do trabalho e de alguns vários copos de cachaça e jurubeba.
Dor, as palavras duras da minha mãe, sobre sua história e sobre seu casamento, por causa e efeito sobre as filhas, também.
Dor, a menarca, primeiras dores abdominais reais para uma menina. Sangue, para que tanto...?
Dor, amiga de infância mudando de cidade para fazer faculdade.
Dor, minha mudança de cidade para fazer Jornalismo.
Dor, desacordo com os primeiros anos de graduação.
Dor. Amor. Desamor. Torpor. Temor. Tumor. Chopin e as lágrimas do seu piano. Beethoven. A marcha fúnebre de Mozart. Um epitáfio que se faz. Uma tragédia de Shakespeare, ou então as leves durezas de Caio Fernando de Abreu com seus "Morangos Mofados".
Partir. Perder. Esquecer. Ser esquecido.
Indignação: Paulo Coelho, Frutas apodrecidas dançando funk, axé, pagode...
A dor, coração partido, alma encolhida, enlatada. Querer muito mudar uma situação, mas nem pá e cal conseguem a reparação.
Dor, saudades dos meus sobrinhos, do colo da minha mãe, me fazendo cafuné, nos cabelos, durante um cochilo matutino. Saudades dos pedacinhos de mamão e de banana que meu pai coloca na mexeriqueira para os sabiás.
Como dói a partida do Astor, cachorro companheiro de 14 anos, meu scooby-doo preto e branco, mas com a língua vermelha, porque ele nunca foi corintiano.
Dor, remédios, muitos remédios, panos azuis, lágrimas maternas, escuridão, frio, agulhas em todos as veias. Uma cara fechada de enfermeira, em final de plantão. Amnésia temporária.
Dor, psicanálise, Freud, a teoria do trauma, a história da família.
Dor, entender o funcionamento real da vida...
Alegria, fica para sábado!!
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Estruturas
Desarrumação
Não espero sonetos com quartetos e tercetos. Aqui é tudo pelo avesso.
O meu avesso é obscuro. Mas eu posso enxergá-lo, à medida em que aproximo a lanterna dos meus rins.
O meu avesso é obscuro. Mas eu posso enxergá-lo, à medida em que aproximo a lanterna dos meus rins.

VERSOS ÍNTIMOS
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão — esta pantera — Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga,
Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Uma noite sem dormir traz à mente tantas perturbações. Sonho poesias de Augusto dos Anjos, a mão, que te acariciou, um dia, volta-se contra você e não consegue discar mais seu número de telefone. São coisas, somente coisas. Tão pouco e tudo, eis a essência humana, cadáveres adiados... e mesmo assim, bom dia. Um brinde com leite e chocolate para os que acreditam na eternidade da carne.quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Um eterno criador, que recriou a vida.
Amor não é se envolver com a pessoa perfeita,aquela dos nossos sonhos.Não existem príncipes nem princesas.Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.
Mário Quintana
Mário Quintana
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