Partir
Minha alma se despeja em dúvidas.
Quanto vale experimentar a pergunta e nunca encontrar a resposta definitiva.
Talvez, pereçam em nós pedaços de esperança,
crenças, migalhas de amor...
tantas buscas se fazem latentes, no meu eterno ir e vir...
Entender o desejo
Desvendar o querer
Tudo como uma especulação de apostas em corridas de cavalos.
Por uma cabeça e tudo está perdido.
Por meia crina e o azarão é a estrela.
A falta presencia as dores de parir a busca que ora se inicia,
Que, em face, toda hora se inicia...
E eu aqui, parada
Sem vontade de prosseguir
Talvez, seja o momento de buscar um atalho
Ou o cansaço e a melancolia sejam o sinal de que o caminho se estreitou, demasiado.
Inundou-se e, vigora no sufoco, que afoga, martiriza...
Devo livrá-lo das minhas tempestuosas procuras,
Esvaziá-lo de mim
Antes, que eu vomite o sofrimento ,de tantas eras de humanidade, contido em uma alma tão
imperfeita.
Quisera a suavidade da brisa leve
Só que quem busca não pode esperar amenidades
E sigo, em meio a nova tempestade,
Sem abrigo, sem proteção
E deixo livre o caminho
Sem fúria, sem grito
Com tristeza profunda, mas sem pesar.
Criar, destruir, romper limites,retificar, desmitificar, mitificar. Liberte-se, sinta-se em liberdade. Dê de si a si e flutue.
Re-criaes
terça-feira, 18 de novembro de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
Mell
Onde reside o sentido de todas as coisas? Em cada olhar que lanço, crio uma nova fantasia de sentido.
Quero ver beleza, em cada fragmento de vida.
Mas, a beleza é fugidia. E eu sei que tenho que lidar com a efemeridade. Por que as borboletas passam tão rápido?
Por que o beijo de amor é tão bom na primeira vez? Mas, depois se torna rotina?
Só o amor salva, mas e aquele que é de perdição?
Assim, sobramos, minha menina felina e eu. Cada uma com seu olhar perdido, em direções opostas.
Quero ver beleza, em cada fragmento de vida.
Mas, a beleza é fugidia. E eu sei que tenho que lidar com a efemeridade. Por que as borboletas passam tão rápido?
Por que o beijo de amor é tão bom na primeira vez? Mas, depois se torna rotina?
Só o amor salva, mas e aquele que é de perdição?
Assim, sobramos, minha menina felina e eu. Cada uma com seu olhar perdido, em direções opostas.
Senso finito
Partir, ficar. Onde reside o meio-termo?
Me perco em insinuações mais baratas que o cigarro largado pelo meio, no cinzeiro, na ponta da mesa. Os pensamentos incessantes vagueiam. Passado, presente, futuro, em um único turbilhão. Medo. Apenas.
As penas de um amor que acabou.
E, se acabou, era porque não era doce. Amargo, tísico, enlutado.
Sempre em re-visita aos túmulos de flores murchas. E que falta faz.
Não há mais dúvidas, que após o fim, o que permanece é a triste constatação da dúvida.
Todo começo é bom.
Até o começo do fim emociona.
E quando as lágrimas salgam a boca é que já não há fim, nem começo, só tristeza.
Não descobri, ainda, o que fazer com a tristeza.
Congelá-la como legumes á espera da salada, que virá, um dia, não é pôr término. É procrastinar
Queimá-la, como a carta do primeiro namorado, que virou vilão da princesa... O intervalo entre brincar com fogo e sentir-se dolorida, com a pele em bolhas e inflamada.
Isso, seja, talvez, crescer.
Enfrentar o que é inevitável e mesmo, assim, manter-se flutuando entre o mágico e o maldito.
Não sei de que lado estou.
Bem provável é, que mesmo estando, em instância saudável, do meu lado, unicamente, não esteja de lado nenhum.
A busca reincidente do "quem sou", "o que faço"...
Se tudo vale a pena, se a alma não é pequena.. Pessoa, por favor, me dê a métrica mais aferida para poder medir o tamanho da alma.
A minha, ás vezes, se amiúda, de tal forma, que a respiração fica suspensa e por instantes, a morte invade mente e corpo, como a mais cruel e justa realidade.
Passou, e se não passou, há de passar, sempre passa e eu passeio por aí.
O café quente na xícara, a caneta perdida na mesa, rabiscos e nada sai. Café sem açúcar, caneta sem tinta, cabeça sem tino.
Vou ouvir uma música alegre, que não fale de amor, nem de dor, apenas um refrão solto para reparar o passado.
Me perco em insinuações mais baratas que o cigarro largado pelo meio, no cinzeiro, na ponta da mesa. Os pensamentos incessantes vagueiam. Passado, presente, futuro, em um único turbilhão. Medo. Apenas.
As penas de um amor que acabou.
E, se acabou, era porque não era doce. Amargo, tísico, enlutado.
Sempre em re-visita aos túmulos de flores murchas. E que falta faz.
Não há mais dúvidas, que após o fim, o que permanece é a triste constatação da dúvida.
Todo começo é bom.
Até o começo do fim emociona.
E quando as lágrimas salgam a boca é que já não há fim, nem começo, só tristeza.
Não descobri, ainda, o que fazer com a tristeza.
Congelá-la como legumes á espera da salada, que virá, um dia, não é pôr término. É procrastinar
Queimá-la, como a carta do primeiro namorado, que virou vilão da princesa... O intervalo entre brincar com fogo e sentir-se dolorida, com a pele em bolhas e inflamada.
Isso, seja, talvez, crescer.
Enfrentar o que é inevitável e mesmo, assim, manter-se flutuando entre o mágico e o maldito.
Não sei de que lado estou.
Bem provável é, que mesmo estando, em instância saudável, do meu lado, unicamente, não esteja de lado nenhum.
A busca reincidente do "quem sou", "o que faço"...
Se tudo vale a pena, se a alma não é pequena.. Pessoa, por favor, me dê a métrica mais aferida para poder medir o tamanho da alma.
A minha, ás vezes, se amiúda, de tal forma, que a respiração fica suspensa e por instantes, a morte invade mente e corpo, como a mais cruel e justa realidade.
Passou, e se não passou, há de passar, sempre passa e eu passeio por aí.
O café quente na xícara, a caneta perdida na mesa, rabiscos e nada sai. Café sem açúcar, caneta sem tinta, cabeça sem tino.
Vou ouvir uma música alegre, que não fale de amor, nem de dor, apenas um refrão solto para reparar o passado.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Sobre o cansaço

Cansa-me a nostalgia errônea.
Leiam mais, quase imploro! Leiam qualquer coisa, mas leiam. E com frequência para, quem sabe começarem a construir novas paredes de discernimento e amadurecimento político e sociológico.
Farta ando de desatinos!
Pergunto-me, assustada, como pode um povo pobre de democracia e liberdade querer, de volta, a prisão mais árdua?
Saudade se sente do que amou, ampliou, progrediu, extra (-) vazou.
De torturadores, assassinos, mentirosos, só se pode sentir ojeriza.
Me responda povo brasileiro, por que alguns ainda pedem a ditadura e a veem como uma possibilidade de regime político?
Será assim tão difícil conviver com a possibilidade de deixar de ser miserável e escravo?
Abro a janela, um pio fino de um pássaro, para mim, sem nome, prende minha atenção.
Depois do canto rápido e desafinado, ele abre suas asas medianas e alça um voo leve e se distancia, aos poucos, sem ter como olhar para o eco da entoação passada. Que destreza em abandonar o galho e seguir. Que destreza em viver solto, longe das gaiolas, que prendem tantos outros de sua espécie.
A livre-associação fica por conta daqueles que ainda acreditam nos generais e suas armas, nos programas megalomaníacos de um crescimento, que esterilizou mentes, trompas e solos.
Quase dia nove...

Ditadura militar. Um 09 de janeiro qualquer, uma mulher em trabalho de parto, durante dezesseis horas, em um hospital público de Guarulhos. O único que podia recebê-la para que a "nascitura" viesse ao mundo.
Veio
Gostou
Desgostou
Arrumou
Encheu
Esvaziou e quase murchou. Mas as luzes da cidade, lâmpadas de tantas cidades, que a envolveram em mais de 30 anos, após o parto, quase sem oxigênio, a preencheram, de novo.
Nasceu, é menino!
Ledo engano, era uma menina feia, que doía, e que de fato, só veio a nascer muitos anos depois. Ficou na incubadora por mais tempo, aliás, a barriga foi meio incubadora (já pedindo desculpas, por licenci-osa poética tão mal-arranjada). Passou duas semanas do tempo contado pelo doutor ginecológico.
Talvez, não quisesse vir.
Talvez, soubesse de todos os arroubos inquietantes que viveria.
Ou, talvez, e simplesmente, era um bebê grande demais para a estrutura física da mãe.
Queria crer que o acaso comanda todas as vindas. Que os planos só acontecem no ritmo consciente das possibilidades biliares de ver a existência. Se todas as chegadas, partidas, sumiços temporários forem programados garanto que estou farta. Desisto do sentimento e, a partir de agora, não amo mais com o estômago, apenas com a vesícula.

Ditadura militar. Um 09 de janeiro qualquer, uma mulher em trabalho de parto, durante dezesseis horas, em um hospital público de Guarulhos. O único que podia recebê-la para que a "nascitura" viesse ao mundo.
Veio
Gostou
Desgostou
Arrumou
Encheu
Esvaziou e quase murchou. Mas as luzes da cidade, lâmpadas de tantas cidades, que a envolveram em mais de 30 anos, após o parto, quase sem oxigênio, a preencheram, de novo.
Nasceu, é menino!
Ledo engano, era uma menina feia, que doía, e que de fato, só veio a nascer muitos anos depois. Ficou na incubadora por mais tempo, aliás, a barriga foi meio incubadora (já pedindo desculpas, por licenci-osa poética tão mal-arranjada). Passou duas semanas do tempo contado pelo doutor ginecológico.
Talvez, não quisesse vir.
Talvez, soubesse de todos os arroubos inquietantes que viveria.
Ou, talvez, e simplesmente, era um bebê grande demais para a estrutura física da mãe.
Queria crer que o acaso comanda todas as vindas. Que os planos só acontecem no ritmo consciente das possibilidades biliares de ver a existência. Se todas as chegadas, partidas, sumiços temporários forem programados garanto que estou farta. Desisto do sentimento e, a partir de agora, não amo mais com o estômago, apenas com a vesícula.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
O medo do que não existe. Rebecca: a mulher inesquecível.
Nesse retorno, aproveito para falar de cinema e de um filme, baseado em um livro, talvez sub-literatura, como alguns definiriam, que eu li, aos 9 anos.
Fiquei deslumbrada com a história e, até hoje, confesso, gosto dessa obra de Daphne du Maurier que nas mãos de Hitchcock, ganhou aquela estatueta famosa de Hollywood.
Pois é, eu nem sabia disso, quando peguei aquele monte de páginas para ler, furtivamente, claro (não era leitura adequada para um menina mal-chegada aos mistérios da vida), na sala da casa de uma tia, já falecida.
E,agora, depois de tantos anos, resolvi fazer um misturadinho de cinema, psicologia e palpites meus.
Aí vai:

Fiquei deslumbrada com a história e, até hoje, confesso, gosto dessa obra de Daphne du Maurier que nas mãos de Hitchcock, ganhou aquela estatueta famosa de Hollywood.
Pois é, eu nem sabia disso, quando peguei aquele monte de páginas para ler, furtivamente, claro (não era leitura adequada para um menina mal-chegada aos mistérios da vida), na sala da casa de uma tia, já falecida.
E,agora, depois de tantos anos, resolvi fazer um misturadinho de cinema, psicologia e palpites meus.
Aí vai:
O medo do que não
existe mais
Rebecca: a mulher
inesquecível
Ficha Técnica
Título Original: Rebecca, 1940, EUA, 130 minutos
Direção: Alfred HitchcockFicha Técnica
Título Original: Rebecca
Direção: Alfred Hitchcock
Produção: David O. Selznick
Roteiro: Joan Harrison, Philip MacDonald baseado na obra de
Daphne du Maurier
Elenco: Laurence
Olivier, Joan Fontaine, George Sanders, Judith Anderson, Nigel Bruce,
Reginald Denny, Melville Cooper
Produção: David O. Selznick
Roteiro: Joan Harrison, Philip MacDonald baseado na obra de
Daphne du Maurier
Elenco: Laurence
Olivier, Joan Fontaine, George Sanders, Judith Anderson, Nigel Bruce,
Reginald Denny, Melville Cooper
O único filme de Alfred Hitchcock que ganhou o prêmio máximo
da academia de cinema de Hollywood, o Oscar, foi “Rebecca: a mulher
inesquecível”, que, na verdade, está longe de ser grande feito do mestre do suspense.
Mesmo, no entanto, sendo vista como uma obra “dita” menor, do
diretor inglês, assisti-la pode nos levar
a pensar, ponderar e viajar em fantasias sobre a morte e a vida, sobre o que é
real e o que é imaginário. Além de revelar, intrinsecamente, uma poderosa
ferramenta de fuga: o medo do que não existe mais e que, talvez, nem tenha
existido, de fato, mas que habita o lado menos iluminado, que existe e atua em
cada um de nós.
A história é sobre uma jovem dama de companhia (interpretada
por Joan Fontaine, que faleceu, na última semana, do ano de 2013, com mais de
85 anos) que se apaixona por um milionário inglês (Laurence Olivier), mais
velho e viúvo.
O casal se conhece em Mônaco. Depois de alguns encontros, os
dois se casam e rumam para a mansão de Manderley. Uma propriedade paradisíaca
que guardou os momentos da vida em comum do herói e sua esposa, exatamente a
Rebecca, do título, que havia morrido,
em um acidente de barco.
De toda a trama, a parte mais instigante é a influência da
figura sem vida de Rebecca, mas que sobrevive como uma sombra, um verdadeiro fantasma,
que rege e controla todas as atitudes da nova senhora de Winter - personagem de
Fontaine.
A jovem joga-se e fica imersa em um mundo onde se misturam o
ideal da linda, inteligente e sedutora mulher, que encantara a todos, durante o
tempo em que fora soberana em Manderley e
sua própria autoestima, rebaixada e colocada em xeque a cada palavra que invoca
a vívida imagem da falecida. Ela é a
personagem sem nome, declarada como inferior e substituta indesejada, até pelos
próprios criados da propriedade.
Emergindo do filme para uma análise da vida, é fácil
especular no decorrer dos dias, o sentimento de muitas pessoas que se sentem
invadidas ou assombradas por figuras mitificadas (reais ou imaginárias),
capazes de movimentar o afeto do psiquismo para baixo, em uma linha descendente
vertiginosa.
Em geral, nos momentos de luto, quando uma perda (mesmo que
simbólica e até de valores de autojulgamento) se faz mais presente do que a
vida, o domínio de criaturas espectrais é uma fonte de integridade, mas uma
integridade patológica. Como se o poder do controle imaginário, que essas espécies
de leviatãs emocionais exercem, mantivesse o ego, por inteiro, e isso acaba na
fossa de uma válvula de escape da desagregação do pensamento.
As batalhas duras e sofridas contra esses monstros tornam o
pseudo guerreiro uma vítima frágil, fácil de ser esmagado, pela primeira
palavra enviesada, ou pelo primeiro olhar “ressaqueado” (tentando entender, aqui,
o porquê de Bentinho qualificar assim os olhos de Capitu). Talvez, como a maçã
de Guilherme Tell: um alvo, colocado em cima da própria cabeça, disposta a
receber qualquer flechada, um pouco mais aguçada na pontaria.
E, de volta á história
da tela, (que pode ser tão terapêutica para a vida!) pelos olhos da jovem
senhora de Winter, vemos um desdobramento de personalidade, causado por uma
vida que não era sua e que ela aceita, e que a transforma em uma espécie de filhotinho abandonado a quem não resta outra
coisa, a não ser aceitar as esmolas de um amor que ela considera roubado.
Mas, na genialidade de Hitch, não poderia faltar a grande
reviravolta. No caminhar do filme, várias descobertas acontecem e se desvenda
uma grande alegoria, que pode se diversificar em um clichê... Nem sempre, tudo
o que reluz é ouro. Assim, nossos olhos devem se desnaturalizar para enxergar a
vida.
Que linda mensagem, hein!
E fora todo o conteúdo psicológico, Rebecca é uma obra de
arte do cinema. A fotografia é espetacular, a utilização da luz é um show a
parte. Um branco e preto, que lembra o expressionismo alemão, em alguns
momentos, e que em um jogo de claro e escuro, será uma influência declarada, para
os filmes “noir” que viriam, depois, no decorrer da década de 40.
Uma boa dica é prestar atenção na cena em que todos os
movimentos de Rebecca, já morta, são refeitos apenas com o uso de movimentos de
câmera e de uma narração.
Momento memorável no cinema.
Vale lembrar também que, pela primeira vez, com um alto
orçamento, Hitchcock faz uma mansão-personagem com a construção impressionante
de Manderley. Semente bem plantada para a futura Xanadú de Cidadão Kane.
A película foi a estreia do diretor em solo americano. Uma
estreia e tanto! Que vislumbrava e anunciava a vinda de Vertigo, Disque M para
matar, Psicose e outros filmaços do mestre.
Bom 2014 para todos. Até.
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