Entre o som e a palavra, entre uma cor e seu nome, entre a comida ingerida e a papila gustativa...
que se manifesta.
entre o som e a onomatopeia, que visita os ouvidos
Existe um abismo
Entre a pele do amante
e a pele de quem a toca
Nesse abismo moram todas as coisas que, realmente, importam, as que não precisam de explicação para existir, as que não precisam ser nomeadas, as que a linguagem não atingem... (Ah, Clarice)
- mas tocam, retocam, des-tocam e voltam a tocar, por mais que as coloquemos longe!
moram as as coisas que desconhecem o não!
As coisas que são contornadas pelo pinot noir, as coisas que são despertas pelo beijo de língua que um casal de idosos, que completa bodas-de-qualquer-coisa-que-é-muito-tempo, as coisas que fazem as borboletas que moram no estômago de um homem descrente da vida levantar voo,
as coisas que fazem um feto abraçar sua mãe pelo lado de dentro, as coisas vivas.
Nesse intervalo moram as crianças com olhares que fofocam segredos do universo para quem não os quer saber, moram os jovens que querem saber os segredos do universo, mas não conhecem a língua de quem os conta, moram os velhos que querem contar os segredos que descobriram na experiência diária de quase beijar a morte sem encontrar ouvidos abertos.
É nesse sono que é quase um um estado de coma, é despertar entorpecido pela urgência da vida, é nesse clichê de "tem coisas que só vivendo pra saber, é nessa palavra que pula de boca em boca, de um para o outro ouvir, em busca de uma outra boca, é numa amostra-grátis de abismo, que a vida nos convoca...
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