Na catalepsia
Talvez, quisesse ouvir Ravel
Talvez, quisesse ouvir amor
Ouço medo
Ouço o barulho da PM, botas pesadas contra o asfalto
Ouço meus vizinhos chorarem. Família negra, invadida
O gosto salgado das lágrimas silenciosas me embriagam
Na cama, ao lado, minha irmã dorme.
Minha mãe reza
O silêncio volta
Em jorros, vômito do medo!
Passou,
São anos de distância
A Mell, agora, com seus olhos verdes, apazigua meu trauma, minha companhia de dias chuvosos...
Hoje só chove no peito, quando eu vejo que meus vizinhos de infância continuam no cativeiro. Mas, dói.
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