Na catalepsia
Talvez, quisesse ouvir Ravel
Talvez, quisesse ouvir amor
Ouço medo
Ouço o barulho da PM, botas pesadas contra o asfalto
Ouço meus vizinhos chorarem. Família negra, invadida
O gosto salgado das lágrimas silenciosas me embriagam
Na cama, ao lado, minha irmã dorme.
Minha mãe reza
O silêncio volta
Em jorros, vômito do medo!
Passou,
São anos de distância
A Mell, agora, com seus olhos verdes, apazigua meu trauma, minha companhia de dias chuvosos...
Hoje só chove no peito, quando eu vejo que meus vizinhos de infância continuam no cativeiro. Mas, dói.
Criar, destruir, romper limites,retificar, desmitificar, mitificar. Liberte-se, sinta-se em liberdade. Dê de si a si e flutue.
Re-criaes
sábado, 7 de julho de 2018
Entres...
Entre o som e a palavra, entre uma cor e seu nome, entre a comida ingerida e a papila gustativa...
que se manifesta.
entre o som e a onomatopeia, que visita os ouvidos
Existe um abismo
Entre a pele do amante
e a pele de quem a toca
Nesse abismo moram todas as coisas que, realmente, importam, as que não precisam de explicação para existir, as que não precisam ser nomeadas, as que a linguagem não atingem... (Ah, Clarice)
- mas tocam, retocam, des-tocam e voltam a tocar, por mais que as coloquemos longe!
moram as as coisas que desconhecem o não!
As coisas que são contornadas pelo pinot noir, as coisas que são despertas pelo beijo de língua que um casal de idosos, que completa bodas-de-qualquer-coisa-que-é-muito-tempo, as coisas que fazem as borboletas que moram no estômago de um homem descrente da vida levantar voo,
as coisas que fazem um feto abraçar sua mãe pelo lado de dentro, as coisas vivas.
Nesse intervalo moram as crianças com olhares que fofocam segredos do universo para quem não os quer saber, moram os jovens que querem saber os segredos do universo, mas não conhecem a língua de quem os conta, moram os velhos que querem contar os segredos que descobriram na experiência diária de quase beijar a morte sem encontrar ouvidos abertos.
É nesse sono que é quase um um estado de coma, é despertar entorpecido pela urgência da vida, é nesse clichê de "tem coisas que só vivendo pra saber, é nessa palavra que pula de boca em boca, de um para o outro ouvir, em busca de uma outra boca, é numa amostra-grátis de abismo, que a vida nos convoca...
que se manifesta.
entre o som e a onomatopeia, que visita os ouvidos
Existe um abismo
Entre a pele do amante
e a pele de quem a toca
Nesse abismo moram todas as coisas que, realmente, importam, as que não precisam de explicação para existir, as que não precisam ser nomeadas, as que a linguagem não atingem... (Ah, Clarice)
- mas tocam, retocam, des-tocam e voltam a tocar, por mais que as coloquemos longe!
moram as as coisas que desconhecem o não!
As coisas que são contornadas pelo pinot noir, as coisas que são despertas pelo beijo de língua que um casal de idosos, que completa bodas-de-qualquer-coisa-que-é-muito-tempo, as coisas que fazem as borboletas que moram no estômago de um homem descrente da vida levantar voo,
as coisas que fazem um feto abraçar sua mãe pelo lado de dentro, as coisas vivas.
Nesse intervalo moram as crianças com olhares que fofocam segredos do universo para quem não os quer saber, moram os jovens que querem saber os segredos do universo, mas não conhecem a língua de quem os conta, moram os velhos que querem contar os segredos que descobriram na experiência diária de quase beijar a morte sem encontrar ouvidos abertos.
É nesse sono que é quase um um estado de coma, é despertar entorpecido pela urgência da vida, é nesse clichê de "tem coisas que só vivendo pra saber, é nessa palavra que pula de boca em boca, de um para o outro ouvir, em busca de uma outra boca, é numa amostra-grátis de abismo, que a vida nos convoca...
Surrealismo
Um tempo, sem tempo.
Mas o que é?
A revolução dos sentidos, sem sentido.
Uma experimentação
Nunca
Nenhuma palavra o alcançará, mas eu lanço meu discurso!
Ele veio com o manual de regras, na mão...
E eu, sem regras, sem rumo, só queria que nunca acabasse, porque eu sabia que teria fim.
A solidão já era meta.
Nunca mais, nunca ... mas veio do nada a vontade e nunca ceder do desejo é a ética!
E foram tantas palavras em tropeço, que não fugi!
Talvez, ainda esteja sem habilidade para amar, sou a prática acabada da racionalidade.
Meu corpo gira e eu só sinto o gosto da vertigem que muda tudo.
Três corpos, até então... e não haveria mais nenhum.
Três que viraram quatro.
Três que me viram como enfeite, uma catarse narcísica de gozo no outro, como se o outro fosse só um objeto. Um vir-a-ser que nunca incluiu o meu desejo...
O quarto, um mistério! Não houve narcisismo, no corpo, no ato, de fato, mas há uma balança. Quem é?
Foi um quadro surreal, Magrite, claro!
Hoje, passado o peso da diferença entre o que se passou e o que é passado, vejo coisas que me intrigam.
Será o quarto "o" que veio, foi e ficou ou será "o" simulacro virtual, que, em alguns momentos, me geram dúvidas.
Mas, para que as dúvidas! Há um manual e regras e regras e regras e outra, e outra, e outra... E eu só sou liberdade! Dentro do que o meu inconsciente permite, como meu processo determina, portanto. De uma história de gaiolas, me livrei, as chaves estão jogadas, em algum pedaço de chão, porque estou em voo livre e aberto!
E eu... sou só um mundo a parte, onde cabem minhas dúvidas e minha eterna melancolia com a vida.
E se de um lado há simulacro, talvez eu não passe de uma simulação. Que sejam sinceros, simulacros e simulações, ao menos... porque, aqui, as palavras fluem e apenas apontam em qualquer direção.
Talvez, precise de amar, precise de sentimento, careça de clima... só que nada será sem ser ao acaso, o acaso do desejo, o ocaso da repressão. Um brinde com um única taça, que estará cheia, porque eu não poupo nenhuma gota de dúvida.
Vou ler a Bíblia, quem sabe eu entenda o cristianismo, que não existe, mas se repete como pulsão de morte... Por onde começo?
Pela parte do vir, ir, mas ficar. Ou da parte de não provar o fruto proibido, porque dele sai o conhecimento e a fantasia de que sempre "tudo", pode ser, como é, sem coerção, sem civilização, só o que nos constitui e destitui. Eu sei, sempre estou errada, vamos para mais um artigo sobre o não ser-humano, mas sentir...
Mas o que é?
A revolução dos sentidos, sem sentido.
Uma experimentação
Nunca
Nenhuma palavra o alcançará, mas eu lanço meu discurso!
Ele veio com o manual de regras, na mão...
E eu, sem regras, sem rumo, só queria que nunca acabasse, porque eu sabia que teria fim.
A solidão já era meta.
Nunca mais, nunca ... mas veio do nada a vontade e nunca ceder do desejo é a ética!
E foram tantas palavras em tropeço, que não fugi!
Talvez, ainda esteja sem habilidade para amar, sou a prática acabada da racionalidade.
Meu corpo gira e eu só sinto o gosto da vertigem que muda tudo.
Três corpos, até então... e não haveria mais nenhum.
Três que viraram quatro.
Três que me viram como enfeite, uma catarse narcísica de gozo no outro, como se o outro fosse só um objeto. Um vir-a-ser que nunca incluiu o meu desejo...
O quarto, um mistério! Não houve narcisismo, no corpo, no ato, de fato, mas há uma balança. Quem é?
Foi um quadro surreal, Magrite, claro!
Hoje, passado o peso da diferença entre o que se passou e o que é passado, vejo coisas que me intrigam.
Será o quarto "o" que veio, foi e ficou ou será "o" simulacro virtual, que, em alguns momentos, me geram dúvidas.
Mas, para que as dúvidas! Há um manual e regras e regras e regras e outra, e outra, e outra... E eu só sou liberdade! Dentro do que o meu inconsciente permite, como meu processo determina, portanto. De uma história de gaiolas, me livrei, as chaves estão jogadas, em algum pedaço de chão, porque estou em voo livre e aberto!
E eu... sou só um mundo a parte, onde cabem minhas dúvidas e minha eterna melancolia com a vida.
E se de um lado há simulacro, talvez eu não passe de uma simulação. Que sejam sinceros, simulacros e simulações, ao menos... porque, aqui, as palavras fluem e apenas apontam em qualquer direção.
Talvez, precise de amar, precise de sentimento, careça de clima... só que nada será sem ser ao acaso, o acaso do desejo, o ocaso da repressão. Um brinde com um única taça, que estará cheia, porque eu não poupo nenhuma gota de dúvida.
Vou ler a Bíblia, quem sabe eu entenda o cristianismo, que não existe, mas se repete como pulsão de morte... Por onde começo?
Pela parte do vir, ir, mas ficar. Ou da parte de não provar o fruto proibido, porque dele sai o conhecimento e a fantasia de que sempre "tudo", pode ser, como é, sem coerção, sem civilização, só o que nos constitui e destitui. Eu sei, sempre estou errada, vamos para mais um artigo sobre o não ser-humano, mas sentir...
lonjuras
180km
Você veio
17 horas
Sussurros
Lábios
Corpos
Uma estranha felicidade
Você se foi
Mas ficou
Ainda não sei se deixo ou esqueço...
sexta-feira, 6 de julho de 2018
Pessoas
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Fernando Pessoa
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Fernando Pessoa
terça-feira, 3 de julho de 2018
Outro
Passamos a primeira metade da vida tentando incluir o outro em nós, fazendo-nos amar, buscando sermos aceitos, de uma forma pouco saudável porque com altas expectativas. Com sorte, passamos a outra metade da vida tentando "tirar" esse outro que habita em nós, para tentar olhar de verdade para o outro que temos diante de nós e, aí, então, sermos mais livres para fazer nossas escolhas. Só então o Eu passa a ter a chance de construir um "nós" que não seja aprisiona-dor. Só aí, então, pode nascer "um tempo para mim.
segunda-feira, 2 de julho de 2018
O Banal
Sim
O caminho estreitou-se
e a infância não sonhada
Retorna
Quando bate a velha dor e que sempre traz novas sensações, é como se houvesse um naufrágio, de um barco de papel.
A âncora enferrujada, envelhecida, pelo uso, já não tem função
Sufoco-me
Lembro do pão partido em cinco pedaços, um para cada dia da semana
Lembro que sou fruto da falta de amor
Sou um coração sem pele
Carne viva
Terreno infértil
Escuto a palavra pobreza, banalizada
Escuto a palavra depressão, banalizada
O que não é banalizado?
Eu sou o banal
Um número de identidade, quando preferiu a solução final... que escapou-me!
Berro em silêncio, parem. Não há compreensão possível. Deixem em paz os que não pertencem ao sistema.
Parem os gladiadores de um simulacro, Nada é real, nem a indignação dos que defendem um mundo melhor, mas não entendem a prática, desse mundo.
Quem vai me curar, agora?
A boa intenção dos intelectuais, em suas salas de cristal, os articulistas e seu narcisimo?
Os abusados virtuais?
Quem vai curar as crianças, que como eu, um dia, viveram a miséria material, emocional? Quem vai me dar respostas?
Eu transformei minha dor
Hoje, passei a dor para uma poltrona... sou a prova contrária à meritocracia.
Acadêmicos, no entanto, minha dor é intramuscular! tem horas que inflama... qual a nova descoberta de vocês?
Um analgésico de textões no facebook!
Os abusados virtuais?
Quem vai curar as crianças, que como eu, um dia, viveram a miséria material, emocional? Quem vai me dar respostas?
Eu transformei minha dor
Hoje, passei a dor para uma poltrona... sou a prova contrária à meritocracia.
Acadêmicos, no entanto, minha dor é intramuscular! tem horas que inflama... qual a nova descoberta de vocês?
Um analgésico de textões no facebook!
Acordando os desejos
Nosso sistema neurológico não nasce pronto.
Os neurônios (células do SNC) que trazemos ao nascer ficam como que dormentes (como iríamos passar pela abertura vaginal se nosso cérebro viesse pronto?) – lembrar que o pediatra mede a cabeça do bebê para avaliar o desenvolvimento neuronal.
Os neurônios (células do SNC) que trazemos ao nascer ficam como que dormentes (como iríamos passar pela abertura vaginal se nosso cérebro viesse pronto?) – lembrar que o pediatra mede a cabeça do bebê para avaliar o desenvolvimento neuronal.
Importante esta compreensão. Preste atenção!
Aos poucos é que os neurônios vão sendo mielinizados.
Só quando uma capa de mielina (uma espécie de gordurinha) vai recobrindo o neurônio é que eles *acordam**, ou seja, só a partir do momento em que são mielinizados é que começam a conduzir os impulsos nervosos.
Ok até aqui?
Aos poucos é que os neurônios vão sendo mielinizados.
Só quando uma capa de mielina (uma espécie de gordurinha) vai recobrindo o neurônio é que eles *acordam**, ou seja, só a partir do momento em que são mielinizados é que começam a conduzir os impulsos nervosos.
Ok até aqui?
Veja só... aos pouquinhos nossas experiências vão se imbricando (se misturando) junto com aquela gordurinha... é quando começam as sensações corporais.
Nos primeiros tempos é só esta a nossa memória (mnêmica –pois não temos ainda a linguagem).
É nosso corpo. É nossa pele.
Que fala... que sente...que deseja.
Nos primeiros tempos é só esta a nossa memória (mnêmica –pois não temos ainda a linguagem).
É nosso corpo. É nossa pele.
Que fala... que sente...que deseja.
Quando a mãe lambuza o corpo do bebê com o seu desejo ela está “acordando” os desejos do bebê também.
Acordando para a vida.
Vida das sensações e das percepções.
Acordando para o desejo!
É assim que são fundadas as nossas zonas erógenas.
Entendeu porque os pés são um fetiche para tanta gente?
A mãe beija, lambe e acaricia toda esta região.
Quando faz a higiene, toda a região anal e genital também é acariciada (zonas erógenas por excelência).
E é nestas sensações que o bebê vai crescendo e mielinizando seu corpo.
Acordando para a vida.
Vida das sensações e das percepções.
Acordando para o desejo!
É assim que são fundadas as nossas zonas erógenas.
Entendeu porque os pés são um fetiche para tanta gente?
A mãe beija, lambe e acaricia toda esta região.
Quando faz a higiene, toda a região anal e genital também é acariciada (zonas erógenas por excelência).
E é nestas sensações que o bebê vai crescendo e mielinizando seu corpo.
Fundamental:
Nesta dança neuronal a *palavra prima* da mãe é a música (lalangue) que vai constituindo, inscrevendo e estruturando o desejo no sujeitinho - e que a psicanálise chama de pulsão.
Somos sujeitos pulsionais.
Compreendeu a profundidade do entendimento desta coreografia que se torna o protótipo de toda a dança da nossa vida afetiva?
Nesta dança neuronal a *palavra prima* da mãe é a música (lalangue) que vai constituindo, inscrevendo e estruturando o desejo no sujeitinho - e que a psicanálise chama de pulsão.
Somos sujeitos pulsionais.
Compreendeu a profundidade do entendimento desta coreografia que se torna o protótipo de toda a dança da nossa vida afetiva?
...
Atenção:
Nosso sistema interoceptivo (interno) se misturou com o exteroceptivo (o ambiente) e tatuou no nosso corpinho todas aquelas sensações de prazer que sentíamos quando nossa mãe cuidava de nós.
Nosso sistema interoceptivo (interno) se misturou com o exteroceptivo (o ambiente) e tatuou no nosso corpinho todas aquelas sensações de prazer que sentíamos quando nossa mãe cuidava de nós.
Veja só: Quando as capas de mielina se formaram, foi “colado” no nosso corpo esta mistura.
Mistura do carinho da mãe que lambuzava nosso corpinho de desejo (do seu desejo por nós) com o biológico.
Nunca mais seremos os mesmos.
Nosso corpo vai buscar o prazer de ser cuidado e ser desejado para o resto dos nossos dias.
Por isto a nossa singularidade.
Por isto cada um de nós é um nas suas sensações de prazer.
Mistura do carinho da mãe que lambuzava nosso corpinho de desejo (do seu desejo por nós) com o biológico.
Nunca mais seremos os mesmos.
Nosso corpo vai buscar o prazer de ser cuidado e ser desejado para o resto dos nossos dias.
Por isto a nossa singularidade.
Por isto cada um de nós é um nas suas sensações de prazer.
Só Freud (sendo neurologista) poderia ter sido esse maestro tão lindamente humano para compor a partitura desta sonata do despertamento do desejo, concorda?
...
Referências:
-Chico Buarque *Palavra prima anterior ao entendimento* Música Uma palavra
-Freud-Os três ensaios sobre a teoria da sexualidade/O Ego e o ID/Projeto para uma psicologia científica
-Lacan-S11
-Wallon -Psicologia e Educação na Infância
-Freud-Os três ensaios sobre a teoria da sexualidade/O Ego e o ID/Projeto para uma psicologia científica
-Lacan-S11
-Wallon -Psicologia e Educação na Infância
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